quinta-feira, 26 de março de 2015

Orientação

Orientação pelos astros e estrelas



  A observação atenta dos astros, como a Lua, o Sol e as estrelas, possibilitou aos seres humanos determinar a direção a seguir, mesmo sem pontos de referência na Terra.
Observando o movimento aparente do Sol, foram determinados os chamados pontos cardeais. Ao lugar onde o Sol aparece pela manhã convencionou-se chamar de leste e a seu oposto, de oeste. A partir daí estabeleceram-se também no norte e o Sul.

                               Orientação pelo sol
                                                                         Orientação pelo Sol

   A necessidade de localizar-se e orientar-se no espaço geográfico é de grande relevância para o homem e suas atividades em diferentes períodos da humanidade. Todos os meios de orientação, desde a utilização de astros e estrelas até o GPS (Sistema de Posicionamento Global), contribuíram com as navegações em busca de novas terras, com as rotas comerciais, guerras e muitas outras aplicações.

Existem diversas formas de orientação, uma delas é a dos pontos cardeais. Pontos cardeais correspondem aos pontos básicos para determinar as direções e são concebidos a partir da posição na qual o Sol se encontra durante o dia. Os quatro pontos são: Norte (sigla N), denominado também de setentrional ou boreal; Sul (S), chamado igualmente de meridional ou austral; Oeste (O ou W), conhecido também como ocidente; e Leste (E), intitulado de oriente.

Para estabelecer uma localização mais precisa são usados os pontos que se encontram no meio dos pontos cardeais. Esses pontos intermediários são denominados de pontos colaterais: Sudeste (entre sul e leste e sigla - SE), Nordeste (entre norte e leste - NE), Noroeste (entre norte e oeste - NO) e Sudoeste (entre sul e oeste - SO).

Existem ainda maneiras mais precisas de orientação, oriundas dos pontos cardeais e colaterais. Nesse caso, refere-se aos pontos subcolaterais que se encontram no intervalo de um ponto cardeal e um colateral, que totalizam oito pontos. São eles: norte-nordeste (sigla NNE), norte-noroeste (NNO), este-nordeste (ENE), este-sudeste (ESE), sul-sudeste (SSE), sul-sudoeste (SSO), oeste-sudoeste (OSO) e oeste-noroeste (ONO).

Para inserir todos os pontos apresentados foi criada a rosa dos ventos, chamada também de rosa dos rumos e rosa-náutica.

                             Resultado de imagem para rosa dos ventos


                       Bússola

A bússola é um objeto de orientação geográfica desenvolvida 2000 a.C, ela tem essa função pois sua agulha magnetizada sempre aponta para o Polo Norte da Terra.

A bússola é um objeto utilizado para orientação geográfica. Sua construção ocorreu tendo como referência a rosa dos ventos, que é composta pelos pontos cardeais, colaterais e subcolaterais. É um objeto com uma agulha magnética que é atraída para o polo magnético terrestre.
       A agulha agulha da bússola sempre para o polo norte magnético da Terra      


                          O GPS

O GPS, ou Global Positioning System (Sistema de Posicionamento Global), é um elaborado sistema de satélites e outros dispositivos que tem como função básica prestar informações precisas sobre o posicionamento individual no globo terrestre.

      





segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Lugar e Espaço Vivido

O conceito de lugar é muito importante para a Geografia, pois representa a porção do espaço geográfico dotada de significados particulares e relações humanas.


O conceito de lugar para a Geografia 
Uma rua, por exemplo, pode ser uma expressão do lugar no espaço geográfico

A expressão “lugar” é polissêmica, ou seja, possui uma variedade de significados. Se pesquisarmos no dicionário, por exemplo, veremos conceitos relacionados a espaço ocupado, pequenas áreas, localidades, pontos de observação, região de referência, entre outros. No entanto, o conceito de lugar para a Geografia é alvo de um debate mais específico, ganhando novos contornos.
Não há entre os geógrafos um consenso sobre o que seria propriamente o lugar. Tudo depende da abordagem empregada na utilização do termo, bem como da corrente de pensamento relacionada com a teoria em questão. Por isso, ao longo da história do pensamento geográfico, esse conceito foi alvo de vários debates, ganhando gradativamente novos contornos.
Nos estudos clássicos da Geografia, o estudo tinha uma importância secundária, tendo sua noção vinculada ao local. Em uma escala de análise, referia-se, dessa forma, apenas a uma porção mais ou menos definida do espaço. No entanto, essa ideia foi sendo enriquecida ao longo do tempo e do avanço das discussões.
Atribui-se a Carl Sauer a primeira grande contribuição para a valorização do conceito de lugar[1]. Para o autor, a paisagem cultural é quem define o estudo da Geografia e o sentido do lugar estaria vinculado à ideia de significação dessa paisagem em si. A partir daí, esse importante termo foi sendo vinculado não ao local, mas ao significado específico, ou seja, aos atributos relativos e únicos de um dado ponto do espaço, transformando suas impressões em sensações únicas.
Com essa evolução, sobretudo pelas contribuições de autores como Yi-Fu Tuan e Anne Butiimer, a ideia de lugar passou a associar-se à corrente filosófica da fenomenologia que, basicamente, trata os fatos como únicos, partindo da compreensão do ser sobre a realidade e não da realidade em si, esta tida como inatingível. Por isso, o lugar ganhou a ideia de significação e, mais do que isso, de afeto e percepção.
Assim, uma rua onde passei a infância pode ser chamada de lugar, ou a região onde moro, ou até mesmo a minha casa e a fazenda onde gosto de passar os finais de semana. Tudo isso, de acordo com a Geografia, é um lugar e apresenta-se como um fenômeno concernente à dinâmica do espaço geográfico.
Espaços públicos de convivência e lazer são frequentemente abordados e estudados pela Geografia a partir da ideia de lugar. Em alguns casos, estudos geográficos com base nessas premissas foram responsáveis pela mudança na arquitetura de praças e espaços de lazer, sobretudo no sentido de adequar tais locais à compreensão e percepção das pessoas e à ideia que essas tinham de como deveria ser o seu lugar.
__________________________
[1] HOLZER, W. O lugar na Geografia Humanista. Revista Território. Rio de Janeiro. Ano IV, n° 7. p.67-78, 1999. Disponível em: http://www.revistaterritorio.com.br/pdf/07_6_holzer.pdf

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

A Paisagem (Conteúdo 6º Ano)

Paisagem Geográfica é um aparte visível do espaço geográfico, sejam eles aspectos naturais, humanizados ou culturais. Na prática, ela se constitui de uma parte da Terra que, estudada tanto do ponto de vista físico quanto do humano, apresenta características próprias. Os aspectos físicos de uma paisagem geográfica são denominados paisagem natural (clima, vegetação, relevo, hidrografia, solo, etc.).
Das modificações impostas pelo homem ao ambiente natural, surge a paisagem cultural ou humanizada (produção, habitação, estradas, etc.).
Em algumas regiões onde a ocupação humana se faz de modo precário (floresta equatorial, grandes elevações), verifica-se um predomínio das características naturais: em troca, nas áreas densamente povoadas (Europa Ocidental, por exemplo) a paisagem geográfica apresenta uma marca da influência cultural.
Em outras palavras, quanto mais desenvolvida a comunidade, maiores serão as modificações introduzidas pelo homem à paisagem natural.
A paisagem natural é o objeto de estudo da Geografia Física, enquanto que a paisagem cultural é o objeto de estudo da Geografia Humana na Paisagem Geográfica.
Resultado de imagem para a paisagem geografia Paisagem cultural ou humanizada                   Resultado de imagem para floresta amazonica Paisagem natural

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

ALMG debate situação de quase 100 mil servidores da educação

14/12/2012 12h15

Audiência pública discutirá a efetivação desses profissionais pela Lei Complementar 100, que está sendo contestada.

A situação dos profissionais da educação efetivados por meio da Lei Complementar 100, de 2007, será discutida em audiência pública pela Comissão de Direitos Humanos, nesta quarta-feira (19/12/12), às 9 horas, no Auditório da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. O requerimento é do deputado Rogério Correia (PT).

Segundo informações do parlamentar, a reunião foi solicitada para contribuir com o processo de negociação entre o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE/MG) e o governo de Minas sobre a situação dos quase 100 mil servidores públicos que correm o risco de perder o emprego devido a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 4.876. Proposta pela Procuradoria Geral da República, a ADI questiona a constitucionalidade do artigo 7º da lei.

“É fundamental que o governo dialogue com a categoria e negocie uma solução para esse imbróglio, já que ele é responsável pelo problema gerado a partir do momento em que propôs a edição da Lei 100 com o intuito de resolver um problema de caixa do Estado e não o de assegurar os direitos dos trabalhadores”, disse o deputado.
Convidados - Foram convidadas para a reunião a secretária de Estado de Planejamento e Gestão, Renata Maria Paes de Vilhena; a secretária de Estado de Educação, Ana Lúcia Almeida Gazzola; a secretária de Organização da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Marilda de Abreu Araújo; e a coordenadora-Geral do Sind-UTE, Beatriz da Silva Cerqueira.

Fonte: http://www.almg.gov.br/acompanhe/noticias/arquivos/2012/12/14_release_comissao_direitos_humanos_lei_100.html

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Projeto Arquitetônico sul-coreano remete ao 11 de setembro


Os arquitetos provavelmente garantirão que é apenas coincidência, mas o projeto das duas torres residenciais luxuosas "The Cloud" em Seul (Coreia do Sul) remete invariavelmente às Torres Gêmeas do World Trade Center, derrubadas no atentado terrorista de 11 de setembro de 2001. A estrutura no meio das torres tem como objetivo imitar nuvens e conectar os blocos. De acordo com o site "Gizmodo", as torres sul-coreanas estarão prontas em 2015.

O que você achou: mau gosto ou projeto ousado?
Fonte: Oglobo - blogs

domingo, 20 de novembro de 2011

Usina Hidrelétrica de Belo Monte-PA - Agressão Ambiental

20/11/2011-02h07

Altamira decide pedir suspensão de Belo Monte; veja vídeo

FOLHA DE SÃO PAULO

A cidade de Altamira (PA), palco da maior obra do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), pediu à presidente Dilma Rousseff, ao Ibama e ao MPF (Ministério Público Federal) a suspensão das obras da Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu.
É o que informa reportagem de Agnaldo Brito na Folha deste domingo.
De acordo com a reportagem, o maior município em extensão territorial do Brasil já começou a sentir os efeitos da migração em massa após o início da construção, há mais de quatro meses.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Texto sobre o Wikileaks - AGB - Associação dos Geógrafos Brasileiros - Censura Global?

WIKILEAKS DESMASCARA A FACE “PSEUDO-DEMOCRATA” DOS ESTADOS UNIDOS

Hindenburgo Francisco Pires
AGB- Rio de Janeiro

1. Introdução
Este trabalho constitui um breve levantamento sobre as comunicações diplomáticas dos EUA, disponibilizadas pelo sítio-web Wikileaks, oriundas de redes confidenciais e secretas do Departamento de Estado, reanalisadas e difundidas pela mídia jornalística internacional.

A idéia é oferecer uma visão panorâmica sobre o conteúdo desses documentos, para que se possa ter elementos para debater, analisar e traçar balizamentos de ações direcionadas à defesa de questões que dizem respeito à defesa da soberania do Estado brasileiro, tais como: a defesa da biodiversidade; a luta pela manutenção da reserva legal da Amazônia; a luta em defesa dos recursos naturais; a luta pela defesa do meio ambiente; a luta contra os transgênicos, a luta pelas atitudes éticas dos representantes políticos e profissionais acadêmicos e do serviço público, entre outras.

Quando me dispus a tratar do tema das comunicações diplomáticas dos EUA, oriundas dessas redes, me coloquei no desafio de analisar e contribuir para que a Associação dos Geógrafos Brasileiros - AGB pudesse ter em mãos um sólido material para dar os passos iniciais na defesa de questões que dizem respeito à soberania do Estado brasileiro, entendendo que nossa entidade não poderia ficar omissa a esse fato de repercussão internacional e poderia também se juntar e esse movimento em defesa à liberdade de expressão e informação.

2. O Wikileaks, As comunicações diplomáticas dos EUA e o Papel da Mídia Internacional: Uma leitura através da Geografia Política da Diplomacia dos EUA

A divulgação, pela Internet, de 251.287 comunicações diplomáticas dos EUA, oriundas de redes confidenciais e secretas do Departamento de Estado, pelo sítio-web Wikileaks merece atenção de todos os Geógrafos no Brasil e do mundo.

Essa divulgação de documentos é a maior da história recente da diplomacia internacional. Utiliza-se aqui a expressão divulgação e não “vazamento”, porque os documentos são de fontes reconhecidamente públicas que deveriam estar fornecendo estas informações de forma transparente e aberta, para os cidadãos de todas as nações que lhes dizem respeito.

Antes da divulgação dos documentos, quando se fala de articulações políticas do Departamento de Estado nos países, alguns pesquisadores que tratavam de revelar os bastidores dessas relações, eram rotulados de partidários da “teoria da conspiração”, no entanto com a divulgação dos documentos o que antes era uma suspeita agora se confirma com uma evidência prática inquestionável. Aí está a mídia internacional para referendar a verdade e cumprir a sua verdadeira missão de informar de forma transparente aos cidadãos.

A divulgação destes documentos, no final de outubro e início de novembro de 2010, contou com a participação de importantes jornais da mídia internacional, tais como
The Guardian, The New York Times, El País, Le Monde, Der Spiegel e vários blogs internacionais. Esses cinco maiores jornais do mundo formaram uma rede internacional para divulgar a farta documentação disponibilizada pelo Wikileaks.

No entanto, outros importantes meios da mídia internacional, como Wall Street Journal e a rede CNN, não aceitaram participar da publicação desses documentos  .

Para o jornalismo internacional, dar as costas a documentos com essa envergadura e relevância histórica, revelaria o descompromisso ético com a verdade e a essência dos fatos gerados, independentemente dos usos que eles possam vir a ter.

Segundo o jornal
The Washington Post, o sítio-web Wikileaks classificou os documentos em : Confidenciais (90,070); Não Classificados (75,792); Não Classificados para uso oficial (58,095); Secretos (11,322); Confidenciais não fornecidos (4,678); Secretos não Fornecidos (4,330).

Para as Universidades esses documentos sugerem questões que devem ser examinadas por estudiosos de Geografia Política Internacional, de Geopolítica com relação aos espaços físicos estratégicos, do Ciberespaço e suas redes sociais e de diferentes áreas do conhecimento: Comunicação e Jornalismo, Ciências Políticas, Sociologia Política, Direito Internacional, etc. Deveríamos pesquisar e analisar as informações fornecidas pelo Wikileaks, até porque as diferentes temáticas tratadas pelos documentos divulgados (Figura 1) dizem respeito às questões de interesse de vários países no mundo, com relação a suas estratégias econômicas-políticas e de soberanias nacionais.

Figura 1.
             Gráfico elaborado com base nos dados fornecidos pelo The Washington Post, 2010.
Um extenso banco de dados dessas informações foi disponibilizado pelo sítio do jornal  alemão Der Spiegel (Figura 2a), pelo espanhol El País (Figura 2b) e pelo inglês The Gardian (Figura 2c), através de mapas mundi ou de atlas interativos, com a localização de todos os países incluídos nesta documentação. A partir de um navegador elaborado em flash é possível ter acesso a todos os documentos e as análises desses documentos tratadas pela mídia internacional.

 Figura 2.
É importante analisar como as redes sociais podem atuar eficazmente para a difusão de dados tão volumosos com uma agilidade de abrangência superior a qualquer outra mídia, que permitiram desencadeamento de ações colaborativas que ultrapassaram objetivos específicos, fazendo com que os maiores e mais importantes meios de comunicação, sites e blogs se unissem para organizar e difundir conjuntamente essas informações de interesse mundial.

Se forem reorganizados os temas relacionados às questões estratégicas de cada país, seria possível pesquisar onde, como investir e pensar cada país em sua geopolítica territorial.
 

3. As comunicações diplomáticas dos EUA sobre o Brasil

No caso do Brasil, é possível verificar como os EUA vêm interferindo em questões políticas nacionais sobre nossas riquezas naturais como, por exemplo, na Amazônia. Os documentos publicados pelo Wikileaks denunciam articulações políticas para assegurar a redução da reserva legal Amazônia. Muitos políticos brasileiros cederam aos interesses estadunidenses que, como é sabido, há décadas, querem possuir nossas riquezas minerais e vegetais.

Existe uma edição, em Português, disponibilizada pelo Wikileaks, dos
documentos da "diplomacia dos EUA" para o Brasil, mas há também um conjunto extenso de documentos importantes, em Inglês, que merece a nossa atenção . Segundo o Sítio-web Opera Mundi, no total, são 2.855 documentos de representantes da diplomacia dos EUA, sobre o Brasil.

Esses documentos revelam
os bastidores do lobby pelo ouro negro do pré-sal, do território brasileiro, efetuado por empresas dos EUA  , sendo fonte de pesquisa e de denúncia tanto com relação aos políticos ou pessoas que ocupam cargos estratégicos que estão traindo os interesses nacionais e internacionais e aos cidadãos que neles depositaram sua confiança, quando estes deveriam lutar por nossa soberania e pela soberania das outras nações.

Segundo ainda esses documentos, os EUA possuem interesses nos
cabos de transmissão submarinos em Fortaleza (Americas II e GlobeNet), e também interferem no gerenciamento de minas de ferro e nióbio controladas por empresas inglesa e estadunidense (Rio Tinto Company e a Anglo American)  .

O nióbio é um mineral muito importante para várias indústrias do complexo militar dos EUA. Ele é considerado um mineral de interesse geoestratégico para os EUA.

Outro caso que retrata a interferência da representação estadunidense em assuntos internos do Brasil, foi à iniciativa de constituir
lobby na disputa pela venda de 36 caças para as Forças Aéreas Brasileiras.  Neste caso, o Wikileaks disponibilizou uma carta confidencial do embaixador Thomas Shannon relatando seu estreito relacionamento com o Ministro de Defesa, Nelson Jobim, que o informara freqüentemente sobre a posição do Estado brasileiro frente a negócios e assuntos estratégicos para a defesa do Brasil  .

A
luta do Movimento Sem Terra (MST) e a questão agrária também foram objetos de interferência da representação estadunidense em assuntos internos do Brasil. A comunicação diplomática oficial de Thomas White "The MST Method: Work the State, Alienate the Locals" (O método MST: Trabalhar com o Estado, alienar os locais)  é significativa. O Wikileaks disponibilizou sete (7) relatórios enviados entre 2004 e 2009, estes documentos revelam também como os EUA se dedicaram a investigar a ocupação de uma fazenda pertencente ao grupo americano Farm Management Company, em Minas Gerais.

Outros documentos revelaram também o empenho dos EUA para a implementação de transgênicos, o que lhes proporcionariam dividendos com patentes e venda de produtos na Europa.  Sobre essa questão o
El País publicou uma importante coletânea de artigos. Como se pode observar a diplomacia estadunidense possui interpretações, ações e objetivos muito precisos a respeito de minérios, energia, agronegócios, florestas, distâncias e localizações, infraestruturas e "recursos" humanos brasileiros.

4. Estado de Direito, Direito Humanos e Práticas Autocráticas: Os EUA vem caminhando para o Facismo?

As reflexões a serem feitas estão relacionadas às contradições entre discursos e práticas porque, por trás dos discursos sobre democracia e direitos humanos, existe uma autocracia, que se revela em sua prática nacional e internacional e em questões que dizem respeito às relações exteriores e às relações políticas dos EUA, com o resto do mundo. Uma autocracia cujas ações se assemelham às das antigas nações que adotaram  práticas autoritárias, com intervenções violentas, métodos facistas, como definiu Boaventura Sousa Santos, no artigo "Wikiliquidação do império?", e práticas políticas desleais que contradizem esse discurso democrático que sempre foi apregoado.

As denúncias do artigo de Michael Brenner, "Washington faz o que condena em autocracias", são preocupantes porque práticas e intervenções políticas nos EUA, como a censura a liberdade de expressão, desrespeito aos direitos humanos, abuso de poder estão se tornando corriqueiras, essas práticas também estão sendo realizadas por eles em outros países  .

Em Agosto de 2010, o jornal estadunidense The New  York Times, mostra a partir de informações fornecidas pelo Wikileaks, uma
animação com a simulação das operações das tropas dos EUA no Afeganistão. Em outubro, o jornal inglês Guardian publicou, a partir de informações fornecidas pelo Wikileaks, mapas elaborados com Googleearth das inúmeras mortes de civis no Iraque  (Figura 3b). Também vídeos, divulgados pelo Wikileaks,  mostram como os soldados estadunidenses matam deliberadamente civis inocentes nas ruas de Bagdá.

 Figura 3.

 Após a divulgação das comunicações do Departamento de Estado efetuada pelo Wikileaks (Figura 3c), os EUA numa operação de retaliação ou de “caça as bruxas” a um dos criadores desse sítio-web, Julian Assange, pressionaram prestadores de serviços internacionais como PayPal,  Amazon, Mastercard, Visa, Bank of America, etc., para que estes atuassem para inviabilizar financeiramente o Wikileaks,  porque este sítio-web, além de demonstrar  a vulnerabilidade de um sistema que se dizia inviolável, secreto, de segurança máxima e de controle absoluto, divulgou documentos que demonstram que os EUA violam e violaram impunemente os direitos humanos, interferem nas políticas internas dos países, conspiram contra países para obter o que lhes é conveniente, a qualquer custo. No dia 25 de Dezembro de 2010, o Editorial do The New York Times condenou as retaliações dos EUA ao Wikileaks.

A reflexão sobre todos esses documentos revela uma tendência mundial que por trás dessa política enviesada pró-estadunidense, existem “adeptos corrompidos”, que sendo representantes políticos, empresários ou profissionais liberais que ocupam cargos de poder decisórios em seus países, cedem às essas estratégias de lobbies para proveitos próprios sem pensar nos prejuízos nacionais e internacionais que implicaria essas traições aos princípios legítimos da cidadania.

Está na hora de nos pronunciarmos em defesa do Wikileaks, pela liberdade de expressão, defesa da cidadania, ética pública na política, e garantia da livre representação soberana de todos os povos, nações e países do mundo, fortalecendo o movimento das redes sociais colaborativas.